O APRENDIZADO DA FINITUDE: MANUEL BANDEIRA E A DECISÃO DE APRENDER A PARTIR DE UMA VEZ.

Elizelmo Quaresma Ferreira Filho

Resumo


O presente trabalho tem como intuito pesquisar a questão da morte nos poemas "Visita" e "Lua Nova", de Manuel
Bandeira, os quais integram o livro Opus 10, partindo do pressuposto que neles podemos vislumbrar uma
aprendizagem da finitude. É importante ressaltarmos que se entende, aqui, a aprendizagem não como assimilação de
conceitos previamente formulados acerca de um tema ou disciplina (conforme sua acepção usual), mas, sim, como
um projetar-se ao questionamento. Dentro desse viés, uma aprendizagem da finitude seria um projetar-se ao livre
questionamento da morte, sem a vã pretensão de confiná-la em um conceito ou paradigma que a esgote. Entendemos
que, tanto em "Visita" quanto em "Lua Nova", Manuel Bandeira afasta-se da tendência contemporânea de impor à
morte conceituações negativas. Ao longo dos versos desses poemas, o poeta lança-se ao radical questionamento da
morte, permitindo-se pensá-la em seu mistério infindável, indo rumo à aceitação desse fenômeno da existência como
algo absolutamente natural e familiar, para onde o homem deve direcionar seus passos em vida. A abordagem
metodológica que adotamos foi a hermenêutica filosófica. Partimos das considerações de Hans-Georg Gadamer, o
qual, em escritos como Verdade e Método (1997), defende que a interpretação de um texto literário deve consistir
em uma disposição a ouvir a voz que ressoa do texto, isto é, em abrir-se para sua alteridade. Assim, humildemente,
nos disponibilizamos a ouvir a voz dos poemas interpretados para podermos compreender a aprendizagem da
finitude que se manifesta no "dizer" de cada poema.


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