"A NOITE DO MUNDO": O NASCIMENTO DA SUBJETIVIDADE E A PASSAGEM PELA LOUCURA

Victor Hugo Amaro Moraes de Lima

Resumo


Procura-se demonstrar, a partir da argumentação do filósofo Slavoj Žižek no primeiro capítulo do livro "O Sujeito
Incômodo", a concepção que o autor adquire com sua reinterpretação lacaniana dos escritos de Kant e Hegel, a
respeito das temáticas da subjetividade, loucura e da famosa passagem do jovem Hegel, sobre a "noite do mundo".
Na releitura feita das antinomias kantianas, que podem somente ser concebida como ou numênicas ou fenomênicas,
e reconhecer que o próprio encontro do domínio numênico é o da perda da espontaneidade inerente à liberdade
transcendental, observa-se que o mistério na liberdade transcendental kantiana coincide com o mistério da
imaginação transcendental: ambas são receptivas e ativas, entrando em um curto-circuito. E ao analisar a
ambiguidade das definições kantianas da síntese transcendental da imaginação, evocando a "noite do mundo" de
Hegel, este espaço negativo pré-ontológico de aparições parciais, propõe-se analisar ela como uma faculdade da
imaginação "ao avesso", identificando ela com a própria noite do mundo, como "potencial não revelado" desta
faculdade, e relacionando assim, com a definição de Hegel e Schelling de loucura, chega-se a concepção de que a
passagem por essa loucura, este recolhimento do espaço natural com aparições espectrais que apagam nossa visão
natural da realidade, é o gesto fundador do sujeito, como aquele que conseguem analisar, separar e "fatiar" os
fenômenos, a partir do seu próprio gesto de recolhimento.


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