A ORIGEM DO MAL E A LIBERDADE EM KANT

Heloísa Helena Silva dos Santos

Resumo


A presente pesquisa busca evidenciar a relevância da origem do conceito de mal radical para a construção do
conceito de liberdade na teoria prática kantiana. Para tal feito, a investigação partirá da interpretação da escritura
bíblica de Gênesis (2-6) feita por Kant e exposta no opúsculo Começo conjetural da História Humana (1786). A
partir da escritura sagrada, o filosofo nos apresenta uma leitura moral da saída do homem do estado de tutela da
natureza para o estado de liberdade, demonstrando que a história da natureza inicia com o bom (Estado de

inocência), pois é obra de Deus, e a história da liberdade inicia com o mau (Pecado original), pois é obra do homem.
No segundo momento, relacionaremos o exposto com a obra A Religião nos Limites da Simples Razão (1793) onde
Kant interpreta a doutrina do pecado original como o mal radical na humanidade, este agindo como um pendor inato
e inclinação que, nas máximas que guiam a nossa ação, nos impele a desviar-nos da lei moral. É exatamente neste
sentido que sustentamos que a leitura bíblica que Kant faz nos textos, ainda que de modo conjectural, acaba por
fundamentar o conceito principal de sua razão prática assim como é sua principal exigência: a liberdade, pois,
emancipa o homem dos braços maternos da natureza o lançando no plano da maioridade como ser autônomo que faz
uso de sua própria razão e faz suas próprias leis.


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