O "EU" TRÁGICO ENTRE A VIDA E A ARTE: GRITOS E SILÊNCIOS EM OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER, DE GOETHE.

Alan Barbosa Guimarães

Resumo


No presente trabalho busco pensar o "eu" sob o contexto do trágico, tecendo não apenas uma reflexão conceitual,
mas direcionando o debate para "Os sofrimentos do jovem Werther", de Goethe, no sentido de destacar as
concepções de dor e amor, que ao longo da narrativa da obra se mostram por meio de dois recursos, que classifico
como gritos e silêncios. A natureza trágica do personagem

goethiano será ressaltada a partir da concepção kierkegaardiana de sofrimento, como uma condição que pode ser
pensada a partir de aspectos variados de expressão do pathos, como o estético, o ético e o religioso. O sofrimento é
inerente à própria existência humana, aspecto concentrado pelo pensador alemão na figura do jovem Werther. O
incômodo do personagem é o mesmo que afeta a existência de seres reais. Destacar seu caráter trágico, é mostrá-lo
sob a perspectiva de uma estrutura psíquica abalada por um profundo sofrimento; a angústia e o desespero de não
caber em si, o incomoda a ponto de saltar o plano contingencial, marcado pela busca do Absoluto. A recusa do
sofrimento, categoria trabalhada por Kierkegaard, encontra no suicídio, o alívio para as inquietações de um eu
atormentado; Goethe registra o processo de desintegração do psiquismo de Werther, a partir de elementos poéticos e
estéticos, enfatizando a índole trágica do protagonista do romance.


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