O SUICÍDIO DE EMMA BOVARY: UMA ANÁLISE LITERÁRIA SOBRE O ABSURDO E O EXISTENCIALISMO PRESENTES NA NARRATIVA DE GUSTAVE FLAUBERT.

Patrícia Romário Franco

Resumo


O presente trabalho traz uma análise crítica e literária do romance realista de Gustave Flaubert, "Madame Bovary",
com enfoque nos recursos narrativos que constituem a criação da protagonista, tendo por objetivo refletir, à luz de
conceitos do existencialismo, sobre a relação entre angústia e liberdade, debatidos por Sartre (1946). A escolha do
teórico se deu devido à discussão levantada por ele sobre a responsabilidade que o homem possui quanto às
consequências de suas decisões, uma vez que, segundo o filósofo, esse homem é livre para escolher e seus atos
detêm o poder de condená-lo. No contexto de Bovary, buscamos analisar como o processo de defrontar-se com os
resultados de suas decisões causa em si o sentimento de angústia e desespero. Provocaremos, também, com o intuito de apontar as relações entre a narrativa e a filosofia existencialista, uma reflexão acerca do

Absurdo teorizado por Albert Camus (1941), entendendo-o como chave teórica da relação do ser humano com o
mundo, de modo que o suicídio de Bovary possa ser entendido como representação ficcional desse conceito, o qual
aponta para a decepção e o desamparo de confrontar-se com o rompimento de suas expectativas, face à realidade.
Por fim, analisamos o teor realista da obra pelo viés de Leite (2004), bem como a ruptura com o tradicional
romântico, intencionada por Flaubert, utilizando a visão de Watt (1990) e Lukács (2000) para enfatizar esse
contraste.


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