Dia Mundial de Luta dos Atingidos por Barragens

São 28 anos de movimento nacional de luta pelos direitos dos atingidos por barragens e em defesa da água e da energia, o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). No final da década de 70, o movimento deu seus primeiros passos de organização, o período foi marcado por uma grave crise energética a nível mundial, com a primeira grande crise do petróleo. Com isso, os países com potencial em outras fontes começaram a ser alvo de pesquisas para implementação de formas “renováveis” de geração de energia. No Brasil, a Eletrobrás foi responsável por desenvolver estudos sobre o potencial hidrelétrico, análise dos rios e bacias hidrográficas. Devido a abundância de rios com grande volume de água e quedas suficientes para gerar energia elétrica, a conclusão foi um mapeamento detalhado de onde se poderia construir as usinas hidrelétricas. No entanto, até o momento não há uma proposta de indenização adequada às populações que vivem na beira dos rios e, portanto, essas famílias são obrigadas a mudar de território, como ocorreu em Belo Monte. Além disso, outros prejuízos de dimensões incalculáveis comprometeram fauna e flora, que são componentes vitais por resguardar as dinâmicas de ciclo de vida, também foram esquecidos nas negociações para a construção da Usina Hidrelétrica.

Outro problema oficializado é a construção de barragens pelas mineradoras. Recentemente, três anos após o “desastre” em Mariana (MG), outro crime devastou o país, no dia 25 de janeiro de 2019, quando um mar de lama engoliu a cidade de Brumadinho (região metropolitana de Belo Horizonte) pelo rompimento de uma barragem que fica dentro do complexo Parauapeba da Vale, deixando para trás um prejuízo ambiental e humano irreparáveis. Geralmente, os processos licitatórios para licença de instalação dessas barragens construídas no país (e são muitas!) acontecem rapidamente e são cheios de falhas, devido ao de desvio de recursos por parte do governo e das grandes empresas que visam o lucro. Mas, até quando?

Ainda estamos de luto pelas vítimas de Brumadinho, e lutamos em prol de um debate comprometido por todos as populações, povos e comunidades tradicionais atingidos por barragens no país. Que o atual governo se sensibilize em reformular a legislação vigente que, concede tantos licenciamentos, e tome medidas que combatam a impunidade para impedir que novos crimes e tragédias continuem a virar práxis do Brasil.

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