Castelinho: nova casa, velha história

O Herbário MFS da UEPA, em 2017 ganhou uma nova casa, o característico prédio Castelinho, no Campus I – CCSE da Universidade do Estado do Pará. Mas a casa mesmo, não é nem um pouco nova. A sua construção foi iniciada em 1893 e o conjunto arquitetônico do prédio Castelinho foi tombado pelo governo estadual no ano de 1996. Trata-se de uma obra eclética, em que predominam as linhas Neoclássicas, com leves traços barrocos.

A sua construção, iniciada em 1893 para ser uma penitenciária modelo, dotada dos melhores métodos construtivos, ainda no governo Lauro Sodré, foi logo interrompida com o término da gestão. As obras só foram retomadas em 1932 para ser um grupo escolar, mas logo desistiu-se dessa ideia e quando pronto passou a funcionar como Batalhão de Caçadores da Polícia Militar. Em 1956 o prédio passa a abrigar a Imprensa Oficial do Estado (que imprime até hoje o Diário Oficial), mas já em 1962 passa por nova reforma para abrigar (dessa vez sim) uma escola. Em 1984 passa para as mãos da Fundação Educacional do Pará que oferta o curso de Pedagogia. Com a criação da UEPA em 1993, o edifício passa a ser usado pela universidade, finalidade que possui até hoje.

 

O prédio, em um bairro de casas baixas e que por anos ocupou um terreno limpo (o chamado campos do diário), com a exceção do prédio histórico da, hoje reitoria (e que já foi escola e sede do Tribunal de Constas do Estado), passando décadas inacabado, sem uso ou em ruínas, tornou-se mítico na região, o “Castelo do Telégrafo”, de forma que hoje é conhecido dentro da universidade por “Castelinho”. O escritor Dalcídio Jurandir (1909-1979) escreveu sobre o prédio e sua mitologia no livro Primeira Manhã (1968): “entre as(…) cadeiras forradas de branco na sala aberta sobre a José Pio e o largo onde jazia, inacabado, com toda a feição de ruína histórica, coberto cercado de mato, o casarão da Penitenciária. Tinha sido velho sonho dos governos dotar Belém de uma cadeia senhora cadeia orgulho do Pará como pedia o progresso, a boa educação, os preços da borracha. Mas esta, águas abaixo, deixou foi a Penitenciária Modelo do Norte do Brasil agasalhando flagelados do sertão“.

Essas constatações são resultantes de pesquisa feita por alunos do Curso de Pedagogia, durante a disciplina História da Amazônia e Metodologia do Ensino de História, sob orientação da professora Venize Nazaré Ramos Rodrigues, coordenadora do curso de Licenciatura em História. “Intitulada Patrimônio Histórico e Educação Patrimonial: CASTELINHO, Universidade do Estado do Pará, História e memórias”, a pesquisa buscou preservar e manter viva a história deste patrimônio, além de conscientizar a sociedade em relação a preservação dos monumentos históricos pre-sentes na região. Foram registradas memórias e lembranças com auxílio da História Oral como metodologia, além de pesquisa documental, iconográfica, análises bibliográficas e pesquisas em sites. A própria comunidade acadêmica produziu conhecimento para preservar e divulgar seus patrimônio.

Atualmente distribuem-se pelos seus três pisos, além do  Herbário Profª Drª Marlene Freitas da Silva,  o Núcleo de Educação Popular Paulo Freire, a sala de videoconferência, o Laboratório de Geografia Eidorfe Moreira, o Núcleo de Estudos e Extensão Trilhas Investigativas e Práticas Sociais e a coordenação do curso de letras.

JURANDIR, Dalcídio. Primeira Manhã. São Paulo: Martins, 1963.

SENA, Ize. Um patrimônio no coração do bairro do Telégrafo. Revista Saber Amazônia: Revista da Universidade do Estado do Pará, n. 6, 2016.

 

Foto: Mácio Ferreira/ASCOM-UEPA

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