A flor de Carajás

Quando chegamos às clareiras de Carajás, em agosto de 1967, uma flor nos chamou a atenção, por ser diferente e pela beleza…”

Breno Augusto dos Santos, Geólogo descobridor das Jazidas da Serra de Carajás.

Após vários estudos na região essa planta com flor de vermelho vivo foi descrita como uma espécie nova para a ciência em 1981, recebendo o nome de Ipomoea cavalcantei (Austin, 1981). O gênero Ipomoea é amplamente distribuído nos trópicos e subtrópicos com cerca de 600 espécies (Austin & Huáman 1996), disseminado por todos os domínios fitogeográficos do país.


Flores e ramo florido de Ipomoea cavalcantei.

 

Mapa de ocorrência de Ipomoea cavalcantei.

Mas não se apresse, essa bela espécie só é encontrada na Serra dos Carajás no Pará, área cuja vegetação nativa vem sendo sistematicamente destruída pela extração de minério de ferro. Mesmo ocorrendo dentro da área de uma Unidade de Conservação, a Floresta Nacional de Carajás, sua extensão de ocorrência, área de ocorrência, qualidade do habitat e número de subpopulações vem diminuindo consideravelmente, de tal forma que sua avaliação de status de conservação (tanto em nível estadual quanto nacional) a coloca como Em Perigo, o que representa que enfrentam um risco muito elevado de extinção na natureza. Por ser endêmica (exclusiva) da região, por seu estado de ameaça e por sua grande beleza, esta espécie é chamada de A flor de Carajás, tornando-se símbolo da biodiversidade e da conservação da região.

 

Ipomoea cavalcantei é uma liana (trepadeira) com populações restritas à Serra Norte da Serra dos Carajás, sendo encontrada com frequência em cangas (também chamadas de campos ferruginosos, são afloramentos ferríferos em que se estabelece uma vegetação rupestre ou aquática), nodular, arbustiva, bordas de floresta e em canga alteradas. Se destaca pela beleza de suas flores com corola hipocrateriforme vermelha, sépalas pouco desiguais, de margem ciliada, não ondulada e pelas folhas cartáceas, elípticas a oblongas.

Além da Ipomoea cavalcantei, outras oito espécies do gênero Ipomoea ocorrem na região de Carajás. Destas, outra espécie, Ipomoea carajasensis, encontrada em canga couraçada, nodular, arbustiva, campos brejosos e bordas de floresta da Serra dos Carajás e em áreas de Cerrado e Amazônia do Maranhão e Tocantins, é considerada Vulnerável (enfrentando um risco de extinção elevado) em nível nacional e Em Perigo em nível estadual, pela destruição do seu habitat.

As pesquisas botânicas na região são fundamentais para que se conheça mais não só as espécies, mas suas formas de vida e interações, e que se discuta a conservação da biodiversidade nesses ecossistemas tão impactados como os campos ferruginosos antes que seja muito tarde.

CNCFlora. Ipomoea carajasensis in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Ipomoea carajasensis>. Acesso em 9 agosto 2017.

CNCFlora. Ipomoea cavalcantei in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Ipomoea cavalcantei>. Acesso em 9 agosto 2017.

Simão-Bianchini, Rosangela, Vasconcelos, Liziane Vilela, & Pastore, Mayara. (2016). Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Convolvulaceae. Rodriguésia67(5), 1301-1318.

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